Mercúrio

O Mercúrio é um metal naturalmente encontrado na crosta terrestre, ocorrendo no ar, no solo e na água. Este metal assume diversas formas químicas, que podem ser divididas nas seguintes categorias: mercúrio metálico ou elementar (Hg), mercúrio inorgânico, principalmente na forma de sais mercúricos (HgCl2, HgS) e mercurosos (Hg2Cl2), e mercúrio orgânico, ligado a radicais de carbono, por exemplo metilmercúrio e etilmercúrio.

O mercúrio metálico (Hg) é um metal prateado e brilhante, que ocorre em estado líquido na temperatura ambiente, e volatiliza facilmente para a atmosfera formando vapores de mercúrio. Os vapores de mercúrio são incolores e inodoros, e se formam em maior quantidade com o aumento da temperatura. As emissões atmosféricas são a principal fonte de contaminação ambiental, seguida da contaminação da água, e da contaminação do solo, quando ocorre disposição inadequada de efluentes e resíduos.

Uma vez liberado, o mercúrio permanece no meio ambiente, circulando entre o ar, a água, o sedimento, o solo, e a biota, onde assume diversas formas químicas. A maioria das emissões para o ar ocorre na forma do mercúrio elementar, que é muito estável podendo permanecer na atmosfera por meses ou até anos, possibilitando seu transporte por longas distâncias ao redor do globo.

O vapor de mercúrio presente na atmosfera pode se depositar ou é convertido na forma solúvel retornando à superfície terrestre nas águas da chuva. A partir dai duas importantes alterações químicas podem ocorrer. O metal pode ser convertido novamente em vapor de mercúrio e retornar à atmosfera, ou pode ser "metilado" pelos microorganismos presentes nos sedimentos da água, se transformando em metilmercúrio.

Por que devemos nos preocupar com o mercúrio?

O mercúrio tem efeitos adversos importantes sobre a saúde humana e o meio ambiente. Exposição a níveis elevados de mercúrio pode afetar o cérebro, o coração, os rins e pulmões e o sistema imune dos seres humanos. A toxicidade do mercúrio varia de acordo com a sua forma química, a concentração, a via de exposição e a vulnerabilidade do individuo exposto (Unep, 2002). Os seres humanos podem estar expostos ao mercúrio por diversas fontes, incluindo o consumo de pescado, a exposição ocupacional e o uso de amálgamas dentais.

Dentre as formas de mercúrio, o metilmercúrio é a forma mais preocupante, pois possui a capacidade de atravessar as barreiras placentária e hematoencefálica, representando uma neurotoxina poderosa que pode afetar negativamente o cérebro em desenvolvimento. Pesquisas revelam que a exposição de mulheres grávidas a altos e constantes níveis de metilmercúrio pode ameaçar o sistema nervoso dos bebês, afetando a sua capacidade de aprendizado e cognição na infância (UNEP, 2002).


Principais vias de exposição humana

A principal forma de exposição da população humana é a dieta, em particular o consumo de pescados contaminados por metilmercúrio. Também podem ser observados níveis elevados de mercúrio em atividades econômicas, como fábricas de cloro-soda, mineração de ouro, minas de mercúrio, fábricas e recicladoras de lâmpadas fluorescentes, fábricas de termômetros, refinarias, clínicas dentais e fábricas de pilhas, sendo estas as principais vias de exposição ocupacional. O mercúrio pode ser ainda usado como conservante de vacinas, em cosméticos e sabões clareadores, e na forma de agrotóxicos. Estes usos estão proibidos no Brasil, sendo apenas permitido o uso de mercúrio como anti-séptico, na forma de timerosal (etilmercúrio tiossalicilato de sódio) para conservação de algumas vacinas.

Produção e consumo mundial de mercúrio

O mercúrio encontra-se em pelo menos 25 minerais, mas a única forma economicamente explorada é o Cinábrio (HgS - Sulfeto de Mercúrio II), que ocorre em depósitos em áreas com atividade vulcânica recente, em veios e fraturas minerais, e próximo a fontes de águas termais (Azevedo, 20031). Importantes depósitos deste mineral se localizam na Espanha, Quirguistão, Algeria, China, Estados Unidos, México.

A produção e o consumo mundiais de mercúrio vem se reduzindo ao longo dos últimos anos. Segundo o relatório Global Mercury Assessment, de 2002, o consumo mundial de mercúrio foi estimado em 1.800 toneladas, menos da metade do consumo observado na década de 80, quando variava entre 5.500 e 7.100. O mercúrio comercializado provém tanto da extração primária quanto da reciclagem, cuja principal fonte é a desativação de fábricas de clorosoda.


Características e usos do mercúrio

O mercúrio é o único metal liquido existente, e pode ser utilizado em um grande número de produtos e processos que se aproveitam destas suas características singulares. O mercúrio é um bom condutor elétrico, tem alta densidade e alta tensão superficial, se expande e contrai uniformemente em respostas a mudanças de temperatura e pressão (Unep, 2002), forma ligas, denominadas amálgamas com muitos metais, especialmente ouro, prata, sódio e potássio (Azevedo, 2003). Alguns sais inorgânicos e alguns compostos organomercuriais têm ainda atividade biocida, anti-séptica e fungicida (Azevedo, 2003).

Principais usos do mercúrio metálico (Adaptado de Azevedo, 2003):

Catalisador da indústria de clorosoda;
Fabricação de aparelhos de medição de uso doméstico, clínico e industrial como termômetros (temperatura), esfingnomanômetros (pressão sangüínea), barômetros (pressão);
Fabricação de lâmpadas fluorescentes;
Interruptores elétricos e eletrônicos (interruptores de correntes);
Instrumentos de controle industrial (termostatos e pressostatos);
Amálgama odontológico;
Amálgama na atividade de mineração.

Principais usos do mercúrio inorgânico:

Eletrólito em baterias
Biocidas na indústria de papel, tintas e sementes;
Anti-séptico em produtos farmacêuticos;
Reagentes químicos;
Tintas protetoras de cascos de navio;
Pigmentos e corantes (em desuso)

Fontes de emissões do mercúrio

Devido a sua elevada volatilidade a principal forma de entrada do mercúrio nos sistemas naturais é por meio de emissões gasosas, que podem ter origem natural ou antrópica. O mercúrio é um metal naturalmente presente no globo terrestre, ocorrendo, em geral, em pequenas e variáveis concentrações, nos ambientes aquáticos e terrestres.

Emissões naturais:

Ocorrem devido à mobilização do mercúrio na crosta terrestre, sendo as emissões de vulcões e a evaporação de corpos aquáticos as fontes naturais mais significativas.

Emissões antrópicas:

Mobilização (movimento) de mercúrio como impureza - o mercúrio ocorre como impureza em combustíveis fósseis, em especial no carvão mineral e, em menor grau, no petróleo e no gás, além de outros minerais que são extraídos, beneficiados e reciclados.
Resíduos de mercúrio - emissões de mercúrio podem originar-se de produtos e processos em que este composto é usado intencionalmente, seja durante o processo de produção seja devido a emissões fugitivas, ou durante a eliminação e incineração de resíduos.
Remobilização de liberações antropogênicas passadas - o mercúrio acumulado, ou depositado, em locais antigos, em solos, sedimentos, águas, aterros ou depósitos de resíduos, pode ser remobilizado.

Fontes antrópicas emissão do mercúrio

É difícil estimar as contribuições antropogênicas para a carga total de mercúrio presente na atmosfera. Segundo a Unep, estudo recente indica que emissões de origem antrópica podem ter multiplicado os níveis gerais de mercúrio na atmosfera por um fator de aproximadamente 3 (Munthe et al, 2001, apud Unep, 2002). Existem ainda muitas incertezas com relação ao conhecimento de emissões, tanto em relação às fontes quanto com relação à contribuição por País.Criação de instrumento juridicamente vinculante sobre mercúrio

Diagnóstico preliminar de Mercúrio no Brasil

Como base nos resultados do Projeto Follow up sobre o Gerenciamento dos Resíduos de Mercúrio, fruto da parceria entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e a Associação Brasiliense de Ex-bolsistas Brasil-Japão (ABRAEX), foi elaborado um diagnóstico preliminar de mercúrio no Brasil.

Este diagnóstico visa resgatar informações básicas sobre mercúrio, destinando-se a servir como um material informativo, sendo disponibilizada abaixo.

Donwlaod do Diagnóstico Preliminar de Mercúrio no Brasil

Embora todas as precauções razoáveis tenham sido tomadas para verificar as informações contidas nesta publicação, o material publicado é distribuído sem qualquer tipo de garantia, expressa ou implícita. O MMA declina qualquer responsabilidade por eventuais imprecisões ou omissões e as respectivas consequências de que possam advir. As designações empregadas e a apresentação do material nesta publicação não implicam, necessariamente, a expressão de qualquer opinião por parte do MMA.



Comitê de Negociação Intergovernamental sobre Mercúrio

Em fevereiro de 2009, a Decisão 25/5 III do Governig Council do Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) considerou ser necessário realizar trabalhos sobre o mercúrio e listou uma séries de atividades, em particular:
1)a elaboração de um instrumento juridicamente vinculante, incluindo disposições a serem consideradas por um Comitê de Negociação Intergovernamental;
2)um estudo das várias fontes e emissões de mercúrio;
3)atividades provisórias para reduzir os riscos à saúde humana e ao meio ambiente;
4)atualização do relatório Global Mercury Assessment (Avaliação Global das Emissões de Mercúrio ATUALIZAÇÃO 2013).

O relatório Time to Act  (Unep 2013), apresenta os resultados atualizados das estimativas globais das emissões de mercúrio no meio ambiente.

Em 19 de janeiro de 2013, cumprindo mandado do INC, foi acordado por 140 países o texto da Convenção de Minamata (diponível aqui em espanhol e inglês).


Grupo de Trabalho sobre Mercúrio (GT-Mercúrio)

Em 23 de março de 2011, a Comissão Nacional de Segurança Química (CONASQ) instituiu o Grupo de Trabalho sobre Mercúrio (GT-Mercúrio), que tem como objetivo discutir e propor estratégias, diretrizes, programas, planos e ações sobre o Instrumento Global Juridicamente Vinculante sobre o Mercúrio e encaminhar sugestões, no que for pertinente, para a participação brasileira na negociação do instrumento juridicamente vinculante sobre o mercúrio. O GT-Mercúrio, conforme o Termo de Referência, que foi atualizado em 2013 (Termo de Referência atualizado diponível aqui para download), se reuni regularmente a cada 2 meses desde o dia 8 de junho de 2011, data da 1ª reunião. As memórias das reuniões, sob responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente, se encontram a seguir ou podem ser solicitadas via e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ou fax: 55 - (61) 2028- 2354.


 


Memórias das reuniões do GT-Mercúrio

1ª Reunião - 08/06/11

2ª Reunião - 09/08/2011

3ª Reunião - 16/09/2011

4º reunião - 21/11/2011

5ª Reunião- 18/04/2012     (Anexo da Memória da 5ª Reunião)

6ª Reunião - 17/05/2012

7ª Reunião - 15/10/2012

8ª Reunião - 20/11/2012

9ª Reunião - 29/05/2013

10ª Reunião - 03/12/2013
 

- Arquivo 1: Relatório das Emissões Atmosféricas de Mercúrio da Indústria de Cloro-Álcalis no Brasil – Toxisphera -Apromac

 - Arquivo 2: Comentários da ABICLOR sobre o Relatório