I Conferência

Apresentação

         Realizar a primeira Conferência Nacional do Meio Ambiente foi um processo constante de construção e aprendizagem para todos nós. Desde a proposta inicial - uma demanda da sociedade civil durante a Conferência Rio-92 - passando pelo compromisso do programa de governo do presidente Lula, até a divulgação das deliberações, ela se baseia na participação efetiva da sociedade civil e do governo. Assim, a Conferência se estruturou, cresceu e se desenvolveu a partir das experiências de cada um dos estados, das definições sobre as grandes linhas da Comissão Organizadora Nacional, da contribuição de especialistas e pensadores internacionais durante os Diálogos para um Brasil Sustentável, da criação de metodologias que contemplassem a complexidade de uma ação envolvendo milhares de cidadãos e cidadãs, convivendo com distintas realidades em diferentes regiões do país.

         Esta foi a primeira grande mobilização de pessoas dos mais diversos segmentos da sociedade, reunidas para deliberar sobre como vamos cuidar do Brasil. Dela participam representantes dos governos federal, estaduais e municipais, dos poderes legislativo e judiciário, de empresas e do setor produtivo, de universidades, de comunidades tradicionais, de ONGs, entre outros setores da sociedade. De forma inédita e com a valiosa parceria do Ministério da Educação, conseguimos mobilizar a juventude da rede de ensino.

         Esta foi a estratégia para ouvirmos o que pensa e o que quer a geração que irá herdar o nosso legado para o meio ambiente no Brasil. A densidade desse processo manifestou-se na participação e na mobilização voluntária e apaixonada. Vimos mobilização quando ouvimos carinhosamente chamarem a Conferência Nacional do Meio Ambiente simplesmente de "Vamos Cuidar do Brasil". Vimos mobilização nas Comissões Organizadoras Estaduais. Vimos mobilização nos processos que antecederam as Pré-conferências: nos encontros preparatórios regionais, municipais, nos sites criados na Internet, nos debates organizados por setores, nas Conferências nas Escolas, com as comunidades, as crianças, os jovens, os educadores e educadoras do nosso país.

         Com todos os sentidos bem despertos, levantamos, valoramos, quantificamos, qualificamos as percepções, os consensos, os dissensos dos participantes. Por isso, cada deliberação de cada uma das versões da Conferência tornou-se para nós um bem público da população brasileira. Focalizamos o conjunto de deliberações como a possibilidade de construirmos juntos essa "Governança Ambiental", para a qual nós, seres humanos criamos políticas que atendam às necessidades de sobreviver/viver/conviver/compartilhar no planeta, com sustentabilidade e qualidade de vida.

        Cuidar do meio ambiente pode ter diversos sentidos. O sentido que pretendemos imprimir é político: cuidar é mais que um ato, é uma atitude que implica co-responsabilidade e envolvimento. É um compromisso ético que emerge do fato de não somente existirmos como indivíduos, mas co-existirmos em sociedade; de não apenas vivermos, mas convivermos com outros seres no mesmo ambiente.

        Por isso, a realização da Conferência Nacional do Meio Ambiente e da Conferência Nacional Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente situa-se no epicentro das quatro diretrizes do Ministério do Meio Ambiente durante esta gestão. A Conferência tratou explicitamente do fortalecimento do Sistema Nacional do Meio Ambiente, num claro exercício de participação e controle social. Contribui para captar os anseios da sociedade sobre como implementar o desenvolvimento sustentável como uma política de governo, em todas as suas esferas e não mais como ações isoladas das instâncias ambientais.

       Já temos um acúmulo de informações que precisam ser conhecidas, debatidas e apropriadas pela sociedade. Resta-nos, agora, o dever de casa de implementar os mecanismos necessários para continuarmos essa interlocução que começou com esta primeira Conferência, mas que não pára aqui.

 

Marina Silva
Ministra do Meio Ambiente

 



Discurso do Presidente Luís Inácio Lula da Silva

Discurso da Ministra Marina Silva