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Nos emergentes, comprador sabe o que é biodiversidade


Comportamento. Pesquisa mundial aborda consumo de produto de beleza

As aparências enganam. Não são os consumidores dos países ricos, com maior nível de instrução e de renda, que mais se preocupam com a preservação da Biodiversidade e estão mais bem informados sobre o tema. É nos mercados emergentes como o Brasil, Colômbia, China e Vietnã que um maior número de pessoas conhece a definição correta do termo Biodiversidade e acha importante que as empresas respeitem esse critério ao adquirir ingredientes naturais para seus produtos.

Essa é uma das conclusões do Barômetro da Biodiversidade 2014, previsto para ser divulgado hoje em Paris pela União para o Biocomércio Ético (UEBT, na sigla em inglês), uma associação que promove regras de "abastecimento ético" industrial, ou seja, o uso de ingredientes naturais que respeitem a Biodiversidade e as comunidades fornecedoras. A UEBT também avalia, em auditorias, a gestão das empresas em relação a esses quesitos.

A pesquisa é feita desde 2009. A deste ano, com foco na indústria de cosméticos, foi realizada em sete países: França, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Brasil, Colômbia e Vietnã e inclui ainda dados sobre a China, relativos ao Barômetro de 2013. Nos países emergentes, mais de 90% dos entrevistados declararam já ter ouvido falar sobre Biodiversidade. Patamar bem superior ao das economias desenvolvidas, com exceção da França, onde ele atinge 94%. Mas não se trata apenas de ter consciência sobre o assunto: quase a metade dos consumidores emergentes (49%) sabe dar a definição correta do termo, o que representa o dobro ou mais do que em países como Estados Unidos e Grã-Bretanha. Os brasileiros são os que mais acertam o significado exato do conceito, totalizando 55%.

Se no geral a maioria dos consumidores entrevistados (87%) espera que as empresas tenham políticas de compras de matérias-primas que respeitem a Biodiversidade, novamente é nos países emergentes onde existe maior preocupação em relação ao assunto. No Brasil, 97% esperam isso e 89% desse total vão mais longe e acham essa prática "essencial". Na Colômbia, chega a 77% o total de pessoas que acham fundamental o chamado abastecimento ético, enquanto na Grã-Bretanha, esse mesmo índice é de apenas 18%, e, nos Estados Unidos, de 33%.

"Em países em ascensão, como o Brasil, os consumidores mostram uma boa compreensão da Biodiversidade. Essas informações passam a ter importância estratégica para as empresas que investem nesses países", diz Rik Kutsch Lojenga, diretor-executivo da UEBT.

Para Cristiane de Moraes, representante da UEBT na América Latina, os emergentes se preocupam mais em relação à preservação da Biodiversidade e também compram mais produtos de beleza com ingredientes naturais porque têm maiores áreas ambientais e maior tradição na utilização de cosméticos naturais e especiarias.

"Existe um real interesse dos países desenvolvidos pelos ingredientes naturais dos emergentes. Esse movimento de busca de novidades em matérias-primas naturais tem sido forte nos últimos quatro anos, principalmente na área de cosméticos", diz ela.

Segundo a pesquisa, metade dos consumidores brasileiros, 43% dos colombianos e 60% dos vietnamitas declaram comprar "sempre" produtos cosméticos com ingredientes naturais em sua formulação. Os franceses totalizam 23% nesse caso, e os alemães, 35%.

Até o momento, diz a representante da UEBT, o aumento da inflação e a desaceleração econômica no Brasil e em países da região não teve impacto no comportamento dos consumidores. "As vendas de cosméticos com ingredientes naturais têm aumentado bastante na América Latina", afirma, sem descartar, no entanto, que no próximo ano possam ocorrer mudanças em razão do cenário atual.

Os brasileiros estão entre os que mais sabem definir corretamente o que é Biodiversidade, mas o número de pessoas que ouvem falar sobre o assunto no país vem diminuindo desde 2012. Para Moraes, isso pode ser decorrente da redução dos investimentos, por parte das empresas, em publicidades na TV. "A falta de ouvir falar sobre o tema foi provavelmente influenciada por isso. No Brasil e na América Latina, o principal veículo de comunicação é a televisão e as propagandas na TV", afirma.

Já nos países desenvolvidos, o número de pessoas que ouve falar sobre a Biodiversidade devem crescendo desde 2009, mas a compreensão mais aprofundada (o conhecimento da definição correta) está caindo. "Isso nos preocupa porque pode tornar mais difícil atingir as metas da convenção das Nações Unidas", diz Moraes, se referindo ao objetivo de que até 2020 os cidadãos de todo o planeta estejam cientes sobre a Biodiversidade.

Veículo: Valor Econômico
Data: 08/04/2014
Tema: Biodiversidade


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