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RISCO DE ÓLEO NA COSTA

Mapeamento detalhado alerta que mais da metade da linha costeira paulista apresenta altos índices de vulnerabilidade ao derramamento de petróleo

Transição entre terra e mar, as zonas costeiras de São Paulo são de alta relevância ambiental e econômica. Abrigam Ecossistemas de grande diversidade e atraem turistas que movimentam as economias de seus municípios. Mas também são uma das áreas mais impactadas pelo vazamento de petróleo no país. Pensando nisso, pesquisadores e alunos da Unesp Rio Claro mapearam o litoral nos últimos dez anos para identificar o grau de sensibilidade ambiental. Trata-se da primeira costa mapeada em detalhes no Brasil. Numa escala de 1 a 10, os resultados mostram que 60% da linha costeira paulista apresenta os mais altos índices de sensibilidade (9 e 10). Apenas 7% correspondem a ambientes pouco sensíveis (1 e 2), por serem costões formados por rochas lisas e expostas à ação das ondas ou estruturas artificiais. O Atlas de Sensibilidade Ambiental ao Óleo do Litoral Paulista, composto por 127 cartas, tem finalidade prática: será usado por equipes que entram em ação sempre que um derramamento de óleo ocorre na região. Afinal, São Paulo abriga o maior porto do país, o Porto de Santos, e o maior terminal petrolífero da América Latina, o Terminal Marítimo Almirante Barroso (Tebar), em São Sebastião, por onde passa entre 55% e 60% do petróleo consumido pelos brasileiros. São mais de 40 tanques de armazenagem, e parte do petróleo passa ainda por extensos oleodutos. — O pré-sal vai aumentar o trânsito de navios na costa. Os índices de sensibilidade determinam o grau de dificuldade de remoção do óleo em caso de vazamento — diz a geóloga Paulina Setti Riedel, professora da Unesp de Rio Claro e uma das responsáveis pelo Atlas, desenvolvido no Programa de Formação de Recursos Humanos (PRH) em Geologia e Ciências Ambientais aplicadas ao Setor de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, patrocinado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Dados levantados para o Atlas mostram que 60 navios petrolíferos passam diariamente pelos 22 quilômetros do canal de São Sebastião, que separa Ilhabela — a maior ilha do Sudeste — de São Sebastião, no continente. Segundo os pesquisadores, entre 1978 e 2007 o litoral norte registou 338 acidentes envolvendo apenas navios. Em 75% dos casos, os vazamentos foram de pequenos volumes, e as manchas ficaram restritas ao canal, que tem no máximo 7 quilômetros de largura. Localizada diante do porto, Ilhabela foi atingida 59 vezes no período.

Uso operacional
Alvo de atração de turismo, Ilhabela compõe um arquipélago que reúne 12 ilhas, com 43 praias, dois ilhotes e duas lajes — rochas submersas pela água do mar. A ilha tem 83% de sua área protegida por um parque estadual. Ali convivem 248 espécies de aves. As ilhas são palco de repouso e reprodução da Fauna. Foram identificadas 13 espécies de mamíferos marinhos, três ameaçados de extinção — baleia jubarte, lontra e baleia franca-austral. O litoral paulista tem 864 quilômetros não lineares, considerando reentrâncias e recorte. Paulina explica que o alto nível de sensibilidade do litoral paulista está associado à quantidade de manguezais, que correspondem a 52% da linha da costa. Berçário de espécies, os mangues não conseguem se autolimpar e tampouco podem ser usadas máquinas para eventual limpeza de óleo. Segundo o ecólogo Arthur Wieczorek, pesquisador associado da Unesp, se não houvesse ocupação humana, a área mais sensível da costa paulista seria o litoral sul, devido à presença do estuário de Santos e dos manguezais. João Carlos Milanelli, doutor em oceanografia e pesquisador, afirma que os mapas de sensibilidade ambiental são usados para compor cartas ainda mais completas, com modelagens de deriva, capazes de indicar para onde a mancha de óleo vai se espalhar e em quanto tempo. São cruzadas também informações sobre ventos e correntes marítimas. Enquanto o índice de sensibilidade indica a dimensão do impacto de um vazamento, os demais estudos determinam a suscetibilidade e a vulnerabilidade das regiões — ou seja, a chance de o local ser atingido. — Com essas informações, as equipes sabem de antemão qual poderá ser o pior cenário em caso de acidente e conseguem agir com mais rapidez e eficácia — diz Milanelli, que trabalhou por 25 anos na Cetesb, estatal paulista que atua na gestão de acidentes químicos e ambientais. O atlas foi feito em escala de uso operacional. Indica locais de embocadoras de rio e pontos de maior sensibilidade, que devem ser prioritários, por exemplo. Pesquisadores chegam a orientar como chegar rapidamente a praias de difícil acesso. O Brasil já tem mapas produzidos pelo Ministério do Meio Ambiente. A inovação, segundo Wieczorek, está no nível de detalhes, que só estudos acadêmicos conseguem reunir. — Este tipo de pesquisa aproxima a universidade das demandas concretas do país — diz Dimas Brito, coordenador do PRH na Unesp.



Veículo: Jornal O Globo
Data: 25/02/2014
Tema: Ministério do Meio Ambiente
 


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