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ENFIM, TEMOS NOSSOS RIOS DE VOLTA

LIMPEZA DOS CURSOS D’ÁGUA VAI PERMITIR TIRAR CÓRREGOS DO SUBSOLO E TRANSFORMÁ-LOS EM EIXOS DE LAZER
 
TRANSFORMAR OS DOIS ESGOTOS A CÉU ABERTO QUE TEMOS, O TIETÊ E O PINHEIROS, EM RIOS É IMPORTANTISSIMO PARA MELHORAR A CIDADE

A promessa é repetida por governos desde os anos 1980: no futuro próximo, os Rios Tietê e Pinheiros estarão limpos. O discurso é corroborado por belas ilustrações, pessoas nadando no rio, outras se divertindo nas margens, natureza verdejante, felicidade. O fato é que, ainda em 2014, os rios cheiram mal, sem muito sinal de vida na Região Metropolitana de São Paulo. Quase todos os especialistas ouvidos pelo Estado apostam na limpeza deles. Mais cedo ou mais tarde. “Acreditamos que, em 20 anos, Tietê e Pinheiros já serão navegáveis, embora ainda não completamente limpos”, afirma Rodrigo Ferraz, arquiteto do escritório FGMF. A solução, de acordo com ele, está na tecnologia, que vai possibilitar uma limpeza mais eficiente e adequada. Mas é em 2054 que teríamos o cenário ideal. “Com a renaturalização dos córregos, poderemos ter uma malha de rios em toda São Paulo. Um impacto paisagístico fundamental”, vislumbra o arquiteto Lourenço Gimenes, do FGMF. Ou seja: todos aqueles córregos que foram canalizados ao longo dos anos voltariam à tona, limpos e prontos para o uso. Água límpida correndo em locais onde quase ninguém sabe que antes havia um curso d’água. Riozinhos ladeados por mata ciliar, parques lineares, ciclovias, equipamentos de lazer. Todos navegáveis. E, quem sabe, “nadáveis”. A cidade cujas praias, segundo a piada, são os shopping centers vai ter uma semi praia de 50 quilômetros entre a Penha, na zona leste, e Interlagos, na zona sul, um arco azul e verde nos dois principais rios da Grande São Paulo. Os galpões que hoje ocupam as margens internas dos cursos d’água dariam espaço para parques e oficinas culturais. Rearranjo. Mas essa desapropriação em massa não seria de graça. O “esvaziamento dos cheios”, como define o arquiteto Decio Tozzi, dependeria de um rearranjo completo dos bairros vizinhos ao eixo hidrográfico paulistano. Tozzi já fez sua parte na retomada dessa margem – é dele o projeto do Parque Villa-Lobos, área verde de 732 mil metros quadrados de espécies da Mata Atlântica que alivia a paisagem (e um pouco do odor) no Alto de Pinheiros, zona oeste. Agora, o arquiteto defende uma transformação mais intensa, um projeto de décadas para buscar “um novo equilíbrio entre o espaço construído e o espaço natural”. A ideia é fazer uma troca. O mercado imobiliário desocuparia a parte mais próxima dos rios, o que permitiria a criação de parques em toda a sua extensão. Em contrapartida, construiria e exploraria megaempreendimentos mais para dentro da cidade, nos chamados pés de morro – regiões como a Avenida Marquês de São Vicente, na Barra Funda, na zona oeste, por exemplo. Mas mesmo esses projetos não seriam simplesmente “espigões”. Seriam bairros verticais autônomos, com residências, comércio, serviços e entretenimento. “Eles teriam uma escala medieval. O sujeito, nos cinco dias da semana, iria ao trabalho a pé, ao cinema a pé. Toda circulação necessária fi caria em um raio de um quilômetro”, diz Tozzi. Arquitetonicamente, os bairros verticais poderiam ser variados. Mas todos teriam a mesma orientação básica: estruturas parecidas com prédios empilhados, com áreas multifuncionais, praças suspensas, passarelas e sistemas de trânsito aéreo, como elevadores e monotrilhos. Tozzi admite que é uma ideia difícil, mas perfeitamente possível, com planejamento a longo prazo. “Há muitas áreas nesses 50 km da Penha a Interlagos que ainda estão com ocupação rala”, ressalta. “É possível fazer macro-operações urbanas em um prazo de décadas.” Mas, para isso, o poder público e o empreendedorismo devem ter um objetivo conjunto claro. “O negócio imobiliário vai ser dirigido para isso. O poder público, em vez de se submeter aos interesses do capital, deveria orientar.” O executivo Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central e presidente da Associação Viva o Centro, defende que, para viabilizar esses grandes empreendimentos, o governo federal passe a encarar São Paulo como uma “metrópole nacional”, com direito a um aporte maior de verbas considerando a importância que tem para todo o País. “Aí conseguiríamos recuperar as áreas verdes, expandi-las e despoluir todo o sistema fluvial da cidade, garantindo fontes de lazer e embelezamento”, explica. “É preciso devolver o espaço público para a população”, diz Meirelles. Tozzi concorda: “O grande sonho é reverter a ocupação das beiras dos rios”.

Veículo: O Estado de São Paulo
Data: 25/01/2014
Tema: Mata Atlântica 


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