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Nova variável no mundo dos negócios

É apenas uma questão de tempo. Em breve estará em vigor uma nova legislação para regular e cobrar o uso dos recursos naturais.
 
O impacto da utilização da Biodiversidade e dos Ecossistemas será economicamente contabilizado, passando a fazer parte da estratégia de negócios de empresas que tenham a ambição de permanecer no mercado no longo prazo.
A inclusão dessa nova variável ao mundo dos negócios representa mais um desafio no processo de construção do Desenvolvimento Sustentável. No relatório “A economia dosEcossistemas e da Biodiversidade” (TEEB), lançado pela ONU em 2010, especialistas estimaram os impactos negativos de 3 mil empresas nos recursos naturais em cerca de US$ 2,2 trilhões em 2008. Em outras palavras, essa cifra astronômica foi o prejuízo causado à sociedade global naquele ano, com os danos em ativos ambientais — como perda deBiodiversidade, contaminação da água e do ar, regulação do Clima, entre outros.

Para atender essa nova demanda, ou seja, capacitar as empresas para que saibam aferir o impacto e a dependência de sua atividade no Meio Ambiente, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) está coordenando o projeto Parceria Empresarial pelos Serviços Ecossistêmicos (Pese), em conjunto com o Centro de Estudos em Sustentabilidadeda Fundação Getulio Vargas e o World Resources Institute (WRI). A iniciativa tem ainda o apoio da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês).

Dessa experiência piloto, participam sete grandes empresas: Anglo American, Danone, Grupo André Maggi, Natura, Pepsico, Votorantim e Wal-Mart. A metodologia escolhida foi a ESR (Corporate Ecosystem Services Review), desenvolvida pelo WRI, em parceria com o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD, sigla em inglês) e o Meridian Institute.

A Mondi, maior companhia europeia de papel e celulose, utilizou a metodologia em três plantações da empresa na África do Sul e colheu resultados expressivos. A aplicação da ferramenta indicou estratégias para a empresa ampliar o acesso à água doce, melhorando a qualidade das bacias hidrográficas regionais e diminuindo o risco de estresse hídrico. Além disso, a Mondi estreitou suas relações com a comunidade local e reduziu custos operacionais. O resultado positivo, tanto na dimensão econômica como social e ambiental, da experiência da Mondi na África do Sul pode explicar por que é cada vez maior o nível de compreensão entre os líderes empresariais de que a integração da Biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos gera benefícios na cadeia de valor das corporações.

Outro bom exemplo vem da Índia. A Syngenta, uma das líderes mundiais na área do agronegócio, aplicou o ESR em pequenas fazendas daquele país. A ferramenta ajudou a empresa a identificar os riscos aos clientes devido à degradação do Ecossistema local, como o declínio na capacidade dos predadores naturais de conter surtos de pragas e redução da fertilidade do solo.

Essas constatações foram comprovadas por levantamento feito pelo CEBDS em 22 grandes empresas associadas de 10 diferentes setores da economia — energia, serviços, mineração, papel e celulose, óleo e gás, holding multissetorial, agrícola, química, equipamentos e cosméticos. Basicamente, são quatro fatores que levam as empresas brasileiras consultadas a incorporar os serviços ecossistêmicos aos seus sistemas de gestão: oportunidades para os negócios (90%), dependência dos negócios em relação aos serviços ecossistêmicos (70%), melhoria da imagem (65%) e redução de riscos (65%).

Não temos dúvidas de que o legado do projeto piloto da Pese será de grande relevância para o setor empresarial brasileiro e para o próprio país. O Brasil, com tantas hotspots deBiodiversidade e a maior floresta tropical do mundo, tem amplas possibilidades de encontrar o caminho para um modelo de desenvolvimento lucrativo e sustentável.

Veículo: Correio Braziliensse
Data:25/01/2014
Tema: Ecossistema
 


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