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Indiana Jones em versão moderna

Arqueólogos brasileiros se profissionalizam, abrindo empresas para atender demanda gerada pelo licenciamento de grandes empreendimentos de infraestrutura no país

Já vai longe o tempo em que Indiana Jones recuperava relíquias raríssimas apenas com seu chicote e punhos certeiros. Ao contrário do personagem dos filmes de Steven Spielberg, os arqueólogos de hoje se profissionalizaram, criando empresas que prestam serviços para companhias do porte da Petrobras e da Norte Energia, responsável pela construção da hidrelétrica de Belo Monte. Impulsionada por grandes obras de infraestrutura, cujo processo de Licenciamento ambiental inclui também estudos arqueológicos, a demanda por esses profissionais explodiu—principalmente a partir do fim da década passada, com o lançamento pelo governo do Programa de Aceleração do Crescimento( PAC).Os cursos de graduação, que deixaram de existir no Brasil nos anos 2000, hoje são 15, segundo dados da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB). Responsável pelas permissões para todas as pesquisas dessa área no país, o Centro Nacional de Arqueologia (CNA) contabilizou no ano passado 1.453 autorizações, praticamente o dobro do volume registrado em 2012. Desse total, 95% são pesquisas voltadas para atender o Licenciamento ambiental, informa Rosana Najjar, diretora do CNA, órgão do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).“O PAC foi decisivo para isso”, afirma Flávio Rizzi Calippo, vice-presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira (SBA), referindo-se ao boom na procura por serviços arqueológicos no país. O mercado potencial é gigantesco: “Obras de grandes Hidrelétricas envolvem centenas de pessoas no trabalho arqueológico”, diz Madu Gaspar, professora do Museu Nacional. As pesquisas por contrato—feitas por empresas especializadas—são praxe em empreendimentos hidrelétricos e de transmissão de energia, por exemplo. Só na região onde está em construção a usina de Belo Monte,no Pará, foram prospectados mais de 21 mil hectares. As escavações revelaram peças de cerâmica e de pedra, além de urnas funerárias. O material está em análise num laboratório instalado pela Norte Energia em Altamira (PA).
Em meio à maior floresta do mundo, as descobertas arqueológicas são frequentes.“Na região da grande Floresta Amazônica, é normal encontrar um sítio arqueológico por quilômetro quadrado”, diz Sérgio Bruno dos Reis Almeida, da Fronteiras Arqueologia, empresa que realizou estudos durante a construção da linha de transmissão do Rio Madeira,em Rondônia. Almeida fundou a empresa com mais três sócios em 2008, estimulado em parte pela Portaria nº 230, do Iphan. Publicada em 2002, a regulamentação definiu o escopo das atividades de arqueologia dentro do processo de Licenciamento de um empreendimento. Como parte do processo de Licenciamento de cada projeto, o relatório elaborado pelo arqueólogo contratado—com base na pesquisa de campo — é submetido ao Iphan, que pode estabelecer condições para que a obra siga adiante. “Participamos do projeto de uma PCH (pequena central hidrelétrica), em Minas Gerais, em que o Iphan recomendou o salvamento de quatro sítios arqueológicos. O empreendedor diminuiu a área alagada e, com isso, dois sítios ficaram de fora da área diretamente afetada pelo empreendimento”, conta Mozart Martins, sócio da Sapiens Arqueologia, fundada há quatro anos. O trabalho das empresas especializadas pode incluir desde o monitoramento de obras até a elaboração de laudos arqueológicos, passando pela educação patrimonial. Mais recente no Brasil, a arqueologia subaquática ganhou força na década de 90. “Foi um mercado que surgiu, principalmente, a partir da dragagem para ampliação de portos já existentes”, conta Calippo, da SBA,que além de professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI)é instrutor de mergulho. No município fluminense de Itaboraí, a Petrobras recorreu à ajuda da Associação Amigos do Museu Nacional (SAMN)para analisar a área de aproximadamente 42 quilômetros quadrados onde está sendo construído o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). Segundo a estatal, os principais sítios arqueológicos foram delimitados e aqueles localizados em áreas que seriam terraplanadas foram resgatados. A companhia informou ainda que há cerca de 220.000 metros quadrados de sítios arqueológicos preservados na área do Comperj. A gama de materiais encontrados abrange desde achados pré-históricos até objetos do Brasil Colonial e do início do século XX. Há fragmentos de cerâmicas portuguesas, espanholas e inglesas, cachimbos africanos e urnas funerárias indígenas. Um dos destaques são os vestígios da extinta Vila Santo Antônio de Sá, que existiu entre os séculos XVI e XVIII. Até mesmo a construção de novos empreendimentos comerciais no Centro do Rio de Janeiro pode revelar relíquias no subsolo. Criada há dois anos, a Grifo Consultoria e Projetos em Arqueologia foi contratada por uma construtora para acompanhar a restauração e a consolidação dos alicerces da Igreja de Santo Antônio dos Pobres, em frente ao moderno Centro Empresarial Senado. “Depois de escavarmos até 1,2 metro de profundidade, achamos o piso original da igreja, aberta em 1811”, diz Giovani Scaramella, diretor da Grifo. Quem visita o templo hoje pode admirar parte do assoalho original. “A consciência das empresas a respeito da sua responsabilidade social têm auxiliado muito no trabalho de preservação do patrimônio histórico. É algo construído paulatinamente”, conclui.


Mercado sofre com escassez de profissionais


A Sociedade Brasileira de Arqueologia (SBA) estima que sejam formados no país, a cada ano, 300 novos profissionais na área. “É um número insuficiente em função da grande demanda existente”, reconhece Flávio Calippo, da SBA. A entidade tem 654 profissionais listados, entre associados e profissionais cujas solicitações de adesão estão sendo processadas. A estimativa é de que o total de arqueólogos no país seja 50% maior, o que significaria um total em torno de mil profissionais em atividade no Brasil. “É pouquíssimo”, reconhece Rosana Najjar, diretora do CNA, ressaltando que não há um número preciso disponível. “Temos apenas 20.485 sítios arqueológicos registrados no país.” O primeiro curso de graduação em arqueologia no Brasil foi criado em meados da década de 70, no Rio de Janeiro, e posteriormente absorvido pela instituição que viria a se transformar na Universidade Estácio de Sá. Foi encerrado em 1998. Os cursos universitários de arqueologia só voltariam à cena na década seguinte. O boom que se seguiu beneficiou também a área de pós-graduação. “Atualmente, entre mestrados e doutorados em arqueologia, temos 12 cursos no Brasil”, comemora Rosana. Sócia-diretora de uma das maiores empresas do ramo no Brasil, Erika Gonzalez criou a Documento Cultural em 1987, no ano seguinte à publicação da Resolução nº 001, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A resolução instituiu a obrigatoriedade de realização de programas de estudos ambientais para empreendimentos com maior impacto ambiental. Hoje, a empresa tem no seu quadro fixo cerca de 200 colaboradores, responsáveis por tocar 50 projetos concomitantes. “Num grande projeto, como a segunda etapa do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, temos aproximadamente 120 profissionais da Documento envolvidos, entre colaboradores fixos e temporários”, estima Erika, referindo-se ao projeto de revitalização da zona portuária capitaneado pela prefeitura carioca.

Brasil Econômico
Data: 13/01/2014
Licenciamento Ambiental


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