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Alcatrazes é liberado para virar parque

Marinha celebra acordo com ambientalistas após suspender exercícios na ilha principal

Depois de anunciar em junho o fim dos exercícios de tiro na ilha principal do Arquipélago dos Alcatrazes e a disposição de apoiar integralmente a criação de um parque nacional no local, a Marinha selou ontem o acordo de paz com os Ambientalistas em uma visita conjunta ao local, que fica a 45 km de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. À espera da aprovação do governo federal, o projeto pode sair do papel já no ano que vem, segundo os envolvidos.

O entendimento entre militares, grupos de defesa do Meio Ambiente e pesquisadores põe fim a mais de três décadas de polêmicas em torno dos testes de tiro, que eram feitos nos paredões rochosos da Ilha de Alcatrazes desde 1982. O auge das disputas ocorreu em dezembro de 2004, quando um incêndio destruiu quase 20 hectares da ilha principal. A suspeita, admitida pela própria Marinha, é que o fogo tenha sido iniciado por um dos testes de tiro no local.

Há mais de um ano nenhum tiro é disparado na ilha principal. A Marinha exigiu, porém, que alguns testes sejam mantidos esporadicamente na Sapata, um ilhota rochosa a cerca de 4km da ilha principal. "Procuramos outros pontos no País, mas aquela região é a que tem vantagens logísticas e geográficas para a atividade", explica o vice-almirante Liseo Zampronio, comandante do 8.° Distrito Naval.

A Marinha concordou com a criação do parque, que será administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),mas manteve a posse do arquipélago. "O local, como propriedade, continua sob administração da Marinha e ela será consultada sobre qualquer decisão que envolva as ilhas", diz o capitão de fragata André Luiz Pereira, que representa a Marinha nos grupos de discussão ambiental.

A proposta do parque deve abrir ao turismo um dos pontos mais preservados de Ecossistemas marinhos no Brasil. "Pesquisas mostram que essa riqueza de Biodiversidade é comparável à do Atol das Rocas", explica a pesquisadora Kelen Leite, do ICMBio. Além do mergulho esportivo, principal atrativo do futuro parque, a observação de aves, golfinhos e baleias fará parte do pacote.

Manejo. Chefe da Estação Ecológica de Tupinambás, unidade de conservação mais rígida mantida no arquipélago, Kelen diz que a demanda de aproveitamento turístico do local é antiga. Ela garante, porém, que o uso sustentável no novo parque não põe em risco a preservação - no total, entre Fauna e Flora, há 45 Espécies Ameaçadas de extinção no arquipélago. "Após a aprovação do projeto, haverá a discussão para se definir um plano de manejo que respeite o trabalho que já foi feito."

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o projeto do parque está em fase final de aprovação, mas não há previsão para ser colocado em prática.

O ESTADO DE SÃO PAULO
2013-08-24
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE 


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