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O tempo em transformação

Em 20 anos, a temperatura do DF aumentou 1,2ºC, fazendo com que zonas quentes se tornem comuns em cidades com prédios altos e poucas árvores, como Águas Claras. O fenômeno é uma das evidências das mudanças climáticas na região.

A falta de planejamento urbano e as construções desordenadas no Distrito Federal e no Entorno criaram duas realidades na capital do país: um Plano Piloto arborizado e Climatizado em contraste com o restante das cidades, repletas de concreto e de moradias capazes de criar ambientes cada vez mais quentes. O fenômeno das ilhas de calor, em que o centro faz mais calor do que a periferia, tem se tornado frequente na região. Também chama a atenção curiosas alterações no tempo de Brasília, como chuvas em junho, época de seca e baixa umidade relativa do ar (leia mais na página ao lado).

A evidência é o aumento da temperatura média anual em 1,2ºC nos últimos 20 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Passou de 20,2ºC em 1992 para 21,4ºC em 2012. Para se ter uma ideia do problema, setembro — sempre o mês mais quente do ano no DF — registra elevação ainda maior: 1,5ºC em uma década — de 21,9ºC em 2002 para 23,4ºC no ano passado. Basta olhar o mapa da temperatura do solo, captado por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (veja ilustração) para se surpreender com tantos pontos coloridos em laranja e vermelho.

Apesar de à primeira vista parecer inofensivo, esse 1ºC a mais é preocupante, alertam os especialistas. “Quando você tem uma elevação constante, significa que há mais energia para gerar essa temperatura — logo, mais calor”, aponta Mozar Salvador, meteorologista do Inmet. Ele confirma a tendência de aumento constante do Clima, mas observa uma estabilização.

Referência nos estudos de ilhas de calor no Brasil, a professora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Magda Lombardo resume a extensa lista de problemas relacionados ao fenômeno (leia Palavra de especialista): “Aumento da temperatura e da Poluição; diminuição da umidade relativa do ar; maior sonolência e baixa produtividade no trabalho; mais precipitação nos centros das cidades do que nos aquíferos; e estimula ataques cardíacos e problemas circulatórios em pessoas com mais de 65 anos, além de causar o estresse térmico”.

Satélite

As ilhas de calor preocupam desde o início da década passada. Em 2001, um estudo do professor de ciências ambientais da Universidade de Brasília (UnB) Gustavo de Mello Baptista identificou zonas abafadas no centro de Taguatinga, no Setor Comercial Sul, em Vicente Pires e na Estrutural. “No DF, temos uma ilha polinucleada: os centros das cidades maiores ficam mais quentes do que o das cidades não adensadas”, ensina. Para o professor, a solução é simples: plantar árvores. “Aumentar o verde urbano é fundamental. A gente precisa ter vegetação para fazer sombra e incorporar o vapor d’água na atmosfera, além de ficar mais simpático e saudável.”

Doze anos após a pesquisa da UnB, o universitário Renato Gonçalves, 22 anos, fez outra descoberta na Universidade Católica de Brasília: Ceilândia, Gama e Planaltina entraram para a lista das cidades mais quentes. O estudante de engenharia ambiental analisou imagens de satélite de áreas urbanizadas com ocupação irregular e rurais de cada região administrativa. Comparando os dados obtidos, ele concluiu que a zona urbana é o local ideal para a formação do fenômeno. A temperatura do solo nos grandes centros das cidades varia de 19,5ºC a 30ºC no Gama; de 20ºC a 29,3ºC em Ceilândia; e de 20ºC a 28,5ºC em Planaltina.

Referência

Outra pista para o aumento da temperatura em Brasília é a média Climatológica, calculada entre 1961 e 1990. Ela indica que o padrão para o mês de setembro é 21,7ºC — bem abaixo do registrado no mesmo mês em 2012.

Caderno especial

O Dia Mundial do Meio Ambiente será comemorado amanhã. O Correio publicará um suplemento especial mostrando o que, de fato, foi feito um ano depois da Rio+20, realizada no ano passado no Rio. Saiba como os brasilienses têm feito o “impossível” para realizar o proposta pela conferência do “possível”, como classificou a própria Organização das Nações Unidas (ONU).

CORREIO BRAZILIENSE
2013-06-04
RIO+20


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