Mapa de Cobertura Vegetal

Mata Atlântica

O que são Mapas de Cobertura Vegetal?


Para mapeamento da cobertura vegetal da Mata Atlântica, que abrange uma área de 1.110.182 km2 (IBGE, 2004), foi necessário o processamento de 96 cenas, 72% das quais obtidas no intervalo 2001-2003. Apesar desta flexibilização, foi impossível conseguir uma cobertura sem a influência de nuvens para toda a área do bioma, principalmente na região Nordeste. Optou-se pelo uso de 90 cenas Landsat e, no mapeamento do Nordeste, a utilização também de uma cena SPOT 4 (2004) e 5 cenas CCD/CBERS (2005), todas com resolução espacial de 20 m.

O trabalhos de campo envolveram excursões terrestres de 7 a 8 dias e uma equipe de 3 ou 4 pessoas, sendo o bioma dividido em 12 áreas. Os trajetos percorridos foram otimizados de modo a atravessar a maior diversidade geomorfológica e se aproximar dos principais padrões de resposta espectral diferenciados. Utilizou-se uma amostragem aleatória estratificada, com uma coleta média de 1.000 pontos por área. A segmentação das imagens analisadas foi efetuada utilizando-se o aplicativo eCognition. A classificação supervisionada foi realizada utilizando, preferencialmente, modelagem fuzzy com o auxílio da análise do comportamento espectral de alvos (definido pelas áreas de treinamento obtidas em campo), de forma a agrupar objetos similares. A classificação digital passou por um processo de edição visual (ancorado nos cadernos de campo, dados secundários e leitura de imagens), sendo então manipulada através de funções de integração de análise espacial.


Foram gerados os seguintes produtos finais:

1) mapa índice impresso e digital das principais iniciativas de mapeamento existentes para o bioma;

2) base de dados consolidada, contendo os dados temáticos e cartográficos obtidos;

3) 86 cartas-imagem no recorte 1:250.000 e uma carta-imagem do mosaico final, na escala 1:5.000.000, em formato digital;

4) 86 cartas de vegetação na escala 1:250.000 e uma carta do mosaico final de vegetação, em escala 1:5.000.000, em formato digital e impresso;

5) Relatório Final .

Para validação do produto final foram utilizados os pontos de observação obtidos nos trabalhos de campo que não foram consultados no processo de classificação. Considerando-se o bioma como um todo obteve-se 86,39% de acerto para o mapeamento.

O total encontrado de cobertura vegetal nativa para o bioma foi de 26,97%, dos quais 21,80% são compostos por diferentes fisionomias florestais (Tabela 1). As florestas ombrófilas densas (9,10%) são o principal componente florestal do bioma, seguindo-se florestas estacionais semideciduais (5,18%). O pior cenário pertence às florestas ombrófilas abertas (com palmeiras), hoje praticamente extintas (0,25% do bioma). Dentre os encraves, as Estepe Gramíneo Lenhosas (Campos Sulinos) são as fisionomias mais representativas no bioma (2,69%).


Tabela 1
Caracterização do bioma Mata Atlântica por Região Fitoecológica Agrupada

Região Fitoecológica Agrupada

Área (Km2)

%

Vegetação Nativa Florestal

230.900,49

21,80

Vegetação Nativa Não-Florestal

40.689,04

3,84

Formações Pioneiras

14.051,26

1,33

Áreas Antrópicas

751.372,78

70,95

Água

15.364,13

1,45

Não Classificado

6.650,15

0,63

Total

1.059.027,85

100,00


Os resultados encontrados diferem dos números apresentados no Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica (Fundação SOS Mata Atlântica, 2002), sendo significativamente maiores. Contudo, comparações entre estes trabalhos devem tomadas com cautela, considerando-se que:

1) há diferenças quanto aos limites do bioma adotados nos dois trabalhos (Mapa dos Biomas do Brasil - IBGE, 2004, versus limites domínio da Mata Atlântica, extraído do Mapa de Vegetação do IBGE, 1993);

2) as escalas de mapeamento são de ordem diferente (meso detalhe: 1:250.000 e macro detalhe: 1:50.000), devendo-se neste caso verificar se as fontes de dados utilizadas (resolução das imagens) atendem à escala de análise final;

3) o presente trabalho incluiu fitofisionomias não-florestais e todos os tipos de formações pioneiras, inclusive comunidades aluviais e os cordões arenosos;

4) dentre as formações florestais foram incluídas as florestas ombrófilas densa, aberta e mista e as florestas estacionais decidual e semidecidual. Diferentemente do Atlas, considerou-se ainda como florestas as savanas florestadas, savanas-estépicas florestadas e todas as áreas de tensão ecológica;

5) os totais obtidos incluem as áreas de vegetação secundária em estágio mais avançado, de acordo com o estabelecido pelo MMA.

Os produtos gerados durante a execução dos trabalhos de mapeamento da cobertura vegetal do bioma Mata Atlântica e disponibilizados até o momento podem ser acessados no site do MMA por meio dos seguintes links diretos:

Instituições executoras:
Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ
Departamento de Geografia da Universidade Federal Fluminense - UFF
Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia - IESB.